A jovem disse: “Meu marido possui mãos milagrosas, coração compassivo, é o médico mais renomado de toda a cidade de Chuzhou...” An Jing respondeu: “Minha esposa é gentil e virtuosa, exímia na culiná
Ano treze da era Xingping, cidade de Yu.
Já se passaram dez anos desde a terrível enchente do terceiro ano de Xingping, sem que ninguém percebesse a passagem do tempo.
A luz do sol, vibrante e dourada, derrama-se sobre os telhados verdes e muros vermelhos que se espalham a perder de vista. Da ponte de Yu, o olhar alcança beirais que se projetam abruptamente, bandeiras de lojas e tabernas que ondulam no alto, carruagens e cavalos que deslizam reluzentes e o fluxo incessante de transeuntes.
Às margens da rua do Rio Yu alinham-se casas de chá, tavernas, casas de penhores, oficinas; nos espaços abertos à beira, muitos comerciantes ambulantes abrem grandes guarda-sóis.
A prosperidade e o burburinho dessa rua acompanham o rio, estendendo-se para leste e oeste, até chegar aos bairros periféricos mais tranquilos, mas ainda assim a rua permanece movimentada: há quem carregue mercadorias em varas, quem dirija carroças de bois, quem comande burros puxando carroças ou simplesmente pare para admirar a paisagem do Rio Yu...
Ao redor da majestosa torre da cidade, as casas se agrupam em fileiras ordenadas, formando pátios e vielas únicos.
No lado oeste da rua, uma tabuleta um pouco desgastada exibe três grandes caracteres: “Salão da Caridade”.
“Pá, pá... pá, pá!”
Dentro da farmácia, o tilintar ritmado de um ábaco ressoa.
Quem o manuseia é um jovem de traços delicados e belos, com sobrancelhas desenhadas e olhos especialmente marcantes: finos, de canto profundo, suas pálpebras, ao se fecharem suavemente, lembram nuvens ocultando a lua.
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