De volta a 1998, diante da onda avassaladora da época, Wang Liu desejava erguer a sua própria torrente tempestuosa.
— Fluvio, Fluvio?
Uma voz chamou ao seu ouvido, e Wang Fluvio despertou lentamente. Logo à sua frente estava um rosto grande, que o sacudia ansiosamente. Quando viu que Fluvio abrira os olhos, sorriu de alívio e perguntou rapidamente:
— Fluvio, você acordou? Como se sente? Está bem?
Era Wang Zhixin, do mesmo vilarejo, seu irmão de infância, com quem crescera correndo descalço pelos campos. Décadas de amizade os uniam, uma ligação inquebrável. Fluvio o reconheceu no mesmo instante, mas notou que ele parecia bem mais jovem do que recordava; um fino buço despontava no canto dos lábios, e seu rosto trazia consigo uma inocência distante do homem maduro e barbeado das lembranças.
O que estava acontecendo?
Atônito, Fluvio olhou ao redor. Alguns rapazes, ora de torso nu, ora com cabelos tingidos de amarelo, estavam de pé ao lado dele. Tinham um ar malandro, nada confiável, e pareciam ter acabado de praticar algum exercício extenuante, pois arfavam pesadamente.
Bem na frente, havia um homem e uma jovem. Ela devia ter uns vinte anos, vestia uma minissaia e uma blusa de alças, desenhando o corpo com perfeição. Era uma bela silhueta, mas seu rosto, inchado e marcado por hematomas, estragava toda a sua beleza. Os olhos vermelhos e inchados fulminavam Fluvio com ódio, um olhar que misturava vingança e alívio.
Aquela cena familiar fez suas pupilas se contraírem. Uma lembrança antiga, quase esquecida, veio à tona com força.
Era sua noiva, Zhang Xiuying. As famílias já haviam se encontrado, o dote fora pago, e o casamento estava marcado par