A coisa mais ousada que Shu Xin fez nesta vida foi se casar às pressas com Jiang Ran. Antes disso, eles se tinham encontrado no máximo três vezes. Shu Xin sempre pensou que Jiang Ran, assim como ela,
Xangai, verão.
À medida que julho se aproximava, o verão de Xangai chegava em silêncio, e o ar começava a se impregnar de uma inquietação sutil, despertada pelo calor.
Na enorme casa de dois pátios, de cima a baixo só se ouvia o estalar incessante de um teclado.
Não demorou, porém, para que o ritmo dos sons fosse se desfazendo, entrecortado, até mergulhar no silêncio.
Ao lembrar do que a tia lhe dissera ao telefone momentos antes, Shu Xin perdeu completamente a vontade de continuar trabalhando. Serviu um copo d’água, mas nem chegou a bebê-lo; ficou apenas encarando, absorta, a tela do computador.
Como assim, em toda Xangai, só ela, aos vinte e seis anos, ainda estava solteira?
Como assim, se não procurasse alguém logo, acabaria ficando sozinha para sempre?
Shu Xin sorriu de si mesma, contendo o incômodo que sentia por ter de encontrar um desconhecido. Com movimentos rápidos, pousou o copo, salvou o arquivo, desligou o computador, trocou de roupa, se maquiou; uma sequência de ações concluída num só fôlego.
Não passava de um encontro às cegas, afinal.
E, considerando que os homens com quem já saíra quase completavam o zodíaco inteiro, que espécie de aberração ela ainda não tinha visto?
Desta vez, se fosse um sujeito minimamente normal, ela se casaria com ele. Pronto.
Saiu de casa ainda de mau humor.
Só que o dia, que pela manhã estivera abrasador, à tarde já havia ficado visivelmente encoberto, com sinais inequívocos de uma chuva torrencial a caminho.
Nem sabia quem escolhera aquela cafeteria, ma