Esta é a história de um homem moderno que retorna à antiguidade, a um mundo real desprovido de qualquer traço do sobrenatural, e que, munido da habilidade de converter todos os aspectos da realidade e
1182, julho. Amanhecer.
A chuva escorria incessante pelas beiradas do telhado.
Gotas de água despencavam ao solo, despedaçando-se, espalhando-se; algumas flutuavam no ar, outras deslizavam sobre a superfície castanha dos cantos da parede.
Sob o beiral, junto ao muro, estavam duas figuras.
Um rapaz, de corpo magro, não mais de dez anos, o rosto rubro, vestindo uma túnica taoísta azulada, já desbotada pelo tempo e lavagens. Os cabelos negros, longos, presos em um coque ritualístico, adornado por uma coroa de madeira em forma de lua crescente, cuja borda ainda revelava a aspereza de um acabamento não polido.
Diante dele, uma jovem de feições delicadas, olhos luminosos e pele alva, ocultava parte do rosto sob um véu. Seu corpo esguio era envolto por um vestido branco, simples, cuja barra alcançava apenas o meio das coxas, expondo a pele límpida; nos pés, botas de couro marrom até os joelhos, e à cintura, um cinto de jade sobre couro verdejante.
— Rongfang, em breve talvez eu precise ir para a Grande Capital. Depois... talvez não possa visitar-te com frequência — a voz da jovem era suave e cristalina, pura como um riacho de montanha.
— Não prometeste que não acompanharias mais aquele Duma Lan!? — O rapaz apertou os dentes, cuspindo as palavras quase entre os lábios.
— Eu prometi — ela assentiu. — Por isso, agora não estou com Duma Lan.
Ela suspirou levemente, desviando o olhar para a cortina de chuva e a floresta densa além do beiral.
Entre verdes escuros e marrons, o vento sacudia os galhos, que tremiam incessanteme